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MIA COUTO CONF MOZ CSNU

A guerra termina quando se abraça o outro

Para o conceituado escritor moçambicano Mia Couto, a guerra começa quando se “diaboliza” e se desumaniza o outro, não no primeiro tiro, e ela não termina com o último disparo, mas sim quando se abraça o próximo. 

Orador da Conferência Internacional Moçambique no Conselho de Segurança das Nações Unidas, que teve lugar sexta-feira (17), em Maputo, Couto sustentou a sua ideia exemplificando o caso da história do aperto de mão entre o antigo Presidente da República de Moçambique Joaquim Chissano e o então líder da Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO), Afonso Dhlakama, o qual culminou com o fim da guerra dos 16 anos.

“Houve um momento em que duas simples pessoas apertaram a mão, mas naquele aperto de mão estava aquilo que é chamado de paz. De repente, aquele aperto de mão foi mais do que um gesto de tocar duas pessoas”, recordou.

Mia Couto, que integrava o terceiro painel do evento, constituído pelo representante permanente de Moçambique nas Nações Unidas, Pedro Comissário, os académicos João Pereira e Egna Sidumo, falou do tema “A construção de paz no contexto de uma sociedade plural em Moçambique”, tendo tranquilizado que, no processo de construção da paz, não é um drama ter uma identidade por ser construída.

“Pode ser uma oportunidade única. Estaria mais triste se tivesse uma nação que já tem uma identidade criada há mil anos. A nação está a ser criada. É um momento excepcional da nossa própria vida”, defendeu.

Para Mia Couto, para o alcance da paz, é necessário ainda que se viva em paz consigo próprio, uma vez que “se ninguém vive em paz consigo próprio, seja uma pessoa ou nação, é difícil que tenha paz”.

Na ocasião, o escritor e biólogo propôs que fossem substituídas as insígnias na Bandeira Nacional do país porque, segundo ele, a primeira arma a ser usada no processo de construção da paz no país, durante a guerra, foi o diálogo.

“Talvez fosse bom repensarmos, como se disse aqui, que aquela arma foi usada como último recurso, o primeiro foi o diálogo. A marca da nossa nacionalidade é a disponibilidade para a gente conversar”, frisou Couto. 

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